Quando o esporte é um problema

Fim de ano e festas. Apesar de poucas, sempre rola conversas e, geralmente, surgem as divergências, principalmente sobre bebida alcoólica. Uma questão interessante que foi colocada em uma destas conversas é que, apesar de não gostar de beber e achar que álcool faz muito mal, colocaram que sou ” viciado em esporte”.

Pensei e procurei estudar sobre o assunto, quais os problemas e “quando podemos considerar o esporte um vício?”. Normalmente, o vício é quando não conseguimos deixar de realizar algo e precisamos fazer para “estar bem”, se não fizermos: “passamos mal”.

Olhando por esta perspectiva, sou – de certa forma – viciado em esporte, pois o esporte me gera prazer e bem-estar e, realmente, mudo meu ânimo quando não treino, mas não acho que vou morrer se não fizer. A única coisa é que organizo minha vida para poder realizar uma rotina e incluo o esporte sempre. 

Mas isto é ruim ou me faz bem? Isto me atrapalha? O conceito de vício vai muito mais além. O vício gera a dependência e, geralmente, ele atrapalha três aspectos da vida:

1. A saúde. 

2. O desempenho em outras tarefas. 

3. Os relacionamentos. 

O primeiro aspecto, a saúde, é muito simples de avaliar. O vício atrapalha o sono, a imunidade e te leva a ter várias dores e lhe faz utilizar medicamentos para dor, gastrite, insônia, hipertensão arterial, diabetes, colesterol, enxaqueca. 

O segundo aspecto é o desempenho em outras tarefas: como está seu trabalho? Seu desempenho sexual, tem outros hobbies, como ler, estudar, tocar algum instrumento? O viciado percebe que seu vício atrapalha em outras tarefas, mas não consegue parar de fazê-lo. 

O terceiro aspecto é a parte social: o que você faz atrapalha você ter uma família, amigos, relacionamentos? Obviamente algumas pessoas que são alcoólatras têm uma vida social animada, mas estes também bebem sozinhos e, muitas vezes, a socialização é às custas da saúde e do desempenho de outras tarefas.

Agora vou analisar meu caso específico. Durmo bem, não utilizo remédio algum – para nada, meu último anti-inflamatório faz uns três meses que tomei ( devo ter tomado umas 2x no ano passado). Aliás, ano passado não tive sequer uma gripe ou febre.

Meu desempenho no trabalho é excelente, medito todos os dias, leio livros. Tenho uma esposa (há 14 anos) e dois filhos maravilhosos – em que reservo um tempo para ficar com eles. No jiu-jitsu e no esporte consegui grandes amigos, apesar de ter alguns fora dele. Ou seja, o esporte e a luta só me fazem ser uma pessoa melhor e saudável. 

Gosto de pensar que realizar esporte diariamente é um hábito, não um vício, como, por exemplo, outros que tenho, como comer fibras, meditar, utilizar protetor solar etc.

Agora, existem alguns hábitos, como utilizar drogas, fumar, beber álcool, jogar jogos de azar ou on-line, ver redes sociais, ver filmes e séries em streaming, entre outros, que têm um alto potencial de se tornarem viciantes e atrapalhar os três pontos que coloquei acima. Por isso, prefiro evitar. E não da para compará-los com o esporte.

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